Monumento das Bitucas


Esse é o Piauí Ecologia, criador do Monumento das Bitucas que cedeu seu tempo para conversar e gravar pra gente!  O objetivo é de incentivar e expor para as pessoas o quanto é prejudicial o cigarro em si e principalmente as bitucas que grande parte dos fumantes simplesmente jogam ao chão. Vira lixo como outro qualquer e mesmo que seja um hábito, é um hábito sujo.

livro: Por que Escrevo?

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Por que Escrevo? é o volume 01 da coleção Mistérios da Criação Literária com organização de José Domingos de Brito, quem coleciona entrevistas de escritores há mais de 25 anos. Indagado de como se pergunta constantemente nas inúmeras entrevistas o por quê de se escrever, de como tal pergunta não é direcionada a outros artistas, José colecionou aproximadamente 700 entrevistas e depoimentos de diversos escritores do mundo afim de solucionar o questionamento. 


"Uma vez perguntaram a Louis Armstrong o que era jazz, e o grande Satchomo respondeu: "Se você precisa perguntar, não vai entender nunca". Às vezes me pergunto se a mesma resposta não valeria para a pergunta "por que escrever?". Mas, quando se lêem as frases tão diligentemente colhidas para este livro, descobre-se que tentar responder é tão natural e produtivo quanto querer perguntar." - Daniel Piza.

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 O livro consta com as respostas dos escritores e uma breve biografia, o que é maravilhoso para conhecer novos escritores, analisar suas respostas com seus dados e obras. Alguns escritores constam com duas respostas, enriquecendo e proporcionando melhor conhecimento das motivações do mesmo. Imagine quantas vezes os maiores escritores do mundo não foram questionados (!!!) 

"Não se trata de imaginar o ofício de escritor como algo acima do bem e do mal. Pelo contrário, se nele existem lados obscuros, são os mesmos obscuros que costumam povoar as mentes de qualquer mortal. A diferença é o modo de lidar com isso: alguns fazem ciência, outros, esporte; e outros escrevem livros." - Bernardo Ajzenberg

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Assim que iniciei a leitura foi notório perceber que a base para se escrever é apenas uma: o sentimento. Todas as respostas são baseadas no sentir. Sentir para ser. Acredito eu, nóia, que qualquer pessoa possa escrever bem, usar boas palavras cultas, daquelas que parecem xingamentos, mas não é qualquer pessoa que está disposta a jogar seus sentimentos em um papel.

"Por que viver?", claro, é uma pergunta convencional, mas para fazê-la é preciso estar vivo. Um escritor só escreve se quiser, e o mais complicado é que a essa intenção não corresponde uma simples responsabilidade individual ou social. Escritores fazem mal ou fazem bem, depende de quem os leia ou não os leia. Só que não existem livros sobre "por que ler?". O escritor não é uma voz no deserto, mas, de certo modo, se sente assim - ou precisa se sentir assim. Mas eu, se fosse você, leria este livro. É tão vital quanto o Jazz" - Daniel Piza.
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"Escritores são pessoas que num determinado momento da vida sofreram algum tipo de trauma que as levou a ter essa compulsão pela literatura, pela criação de um mundo paralelo ao mundo real. Preferia não ter que escrever, mas é como se eu não tivesse direito a essa opção. Escrever é um atrapalho. Escritores são pessoas doentes." Fonte: Folha de S.Paulo, 21 de dezembro de 1997.  
"Escrevo porque desde cedo precisei encontrar uma companhia mais segura do que a companhia humana, um lugar mais seguro do que as cidades. Talvez minha solidão já fosse maior do que eu poderia suportar sem uma 'terceira perna', como se diz." Fonte: Folha de S.Paulo, 8 de maio de 1998. 
- Marilene Felinto.

A coleção consta com mais quatro volumes: Como escrevo - Literatura e Jornalismo - Literatura Cinema - Literatura Política. Tive que me conter para não adicionar muitas frases e informações incríveis, porque esse livro é muito foda! Recomendo para todos, desde os que escrevem aos que cultivam a leitura. Em uma conversa um amigo, quem admiro a escrita, me disse: "Acho que no fundo, no fundo, eu não queria ter que escrever nada... Acho que quanto mais a gente escreve, mais vai dando corda pra forca. Escrever é um processo de suicídio..." Daniel Alves Pinho - 28 de maio de 2014.
É interessante analisar a forma como a escrita habita em cada ser.

Eu digo que: Eu não escrevo poesia. Nem ao menos sei escrever. Penso que meus escritos não são meus. Nada me pertence. Como se alguém assoprasse em meu ouvido o dom, que não sei se o dom é meu; do dom de ter dom. Ou se é apenas uma farsa das minhas mãos, que só seguram a caneta e o resto se constrói...

Por que você escreve?



precisa-se de uma alma.


Minha alma está com anemia, não tenho forças para sustenta-la. Havia em mim uma preguiça tremenda de viver. E de viver na preguiça. Nada mais me agradava. Poucas coisas me traziam um sorriso, daqueles de canto de boca qualquer. Não tinha mais ninguém para compartilhar a dó(r) da vida; uma birita, ou coisa do tipo. Não tinha nem minhas madrugadas, resumidas ao êxtase, do meu ser ébrio. Nem o caos me interessa. Nem os amores. Nem as ilusões me chocam mais. Já não sabia, nem ao menos, mais escrever. E escrever é, ou era, a única coisa que me resta.


Casa Nua


Chovia muito, mas lá no Tremembé estava rolando a exposição na Casa Nua, ou seja, choveria muito lá também. Mas nenhuma gota de chuva fez com que desse algo errado, pelo contrario, o clima nublado contribuiu para as cores e formas das artes, fazendo com que ganhassem vida. Entre paredes, tijolos e objetos quebrados, a exposição viva e nua acontecia. Fotografei e troquei ideia com o idealizador, pedindo com que falasse um pouco sobre o conceito e processo da casa:       


• NOIA: Como surgiu a ideia de usufruir um espaço 'nú' para expor a arte e seus artistas?

A ideia da casa surgiu entre amigos, em primeiro momento era apenas uma ideia pra juntar os amigos e promover a arte. Queríamos expor nossos trabalhos, isso foi em 2007. Nesse momento achamos um espaço, uma casa que estava abandonada e dai veio o nome Casa Nua, pois a casa não estava terminada. Seus tijolos amostra foram nos induzindo à ideia do nome e do contexto da casa. A gente ainda nem imaginava o que seria tudo aquilo que estava ali. Com o tempo descobrimos que fazer a Casa Nua era um processo independente de nossas vontades. Ia alem das nossas vontades, como se tivesse vida própria, e os artistas apenas ferramentas pra casa ganhar vida. 

Depois da primeira exposição descobrimos que a casa tinha seu próprio clima e seus sentimentos. A primeira foi bem pesada, de sentimentos tristes e perturbadores. A segunda, em 2008 foi bem diferente, era um clima de alegria e celebração. Nesse tempo entendemos que a casa tinha um contexto de transparência, de expor seu interior. O processo mostrou pra gente o que seria. Isso é uma descoberta, até hoje a casa é um ser independente, vivo e de transformação.




Ela abriga vida, ela é mutável, ela é feita de fragmentos de histórias que por ali passaram. Ela também pode morrer... A ideia é dar identidade, características e personalidade para o concreto de suas paredes e plantas. Hoje em dia a casa se aprofunda no contexto, seus tijolos retratam o que foi do homem, a passagem do ser humano, e as plantas o renascimento da vida, sobre o que sobrou do ser humano. É feita dos seus próprios restos. O que foi destruído, hoje é reorganizado de outras formas e surge ali um novo ser. Sobre transformar seu lixo em coisas lindas, sobre se reciclar.



• NOIA: Qual o processo entre ter a ideia, organizar e por em prática?

Bom, o processo sempre foi meu e do Aquino, os outros artistas são convidados. Cada expo mostra uma parte da gente, do nosso interior. Eu e o Aquino trocamos ideia sobre o que queremos mostrar e passar, mas normalmente isso vem junto com o momento de vida de cada um. No fundo apenas reproduzimos nosso interior em arte e colocamos a mostra. Os outros artistas surgem conforme a casa pede. É sempre muito evidente o que a casa deseja da nossa arte, então é algo apenas de entender o processo e seguir o fluxo das coisas. Nada é de fato muito pensado, é apenas movimento e sintonia. Exemplo, a casa tinha um telhado, o telhado caiu e disso surgiu o jardim. O jardim foi feito do encaixe de seus escombros e restos, tudo surge do acaso que a casa provoca.

O conceito do nome Casa Nua quer dizer que seja você sua casa e se mostre nu por inteiro. Seja cru, seja seu próprio lar e não seja nada alem da sua verdade. A casa quer ser olhada com olhos de coração, quer que você se sinta em casa, é familiar. Feita dos restos da casa que eu, Rodrigo, passei minha infância e juventude. O chão da casa é cheio de pedaços e fragmentos de muitas outras historias, ou seja, somos feitos de tudo o que passamos. Nosso passado traz a tona nosso presente. Sem esconder, ela mostra a beleza do que a fez ser daquele jeito que é hoje.



• NOIA: Qual a meta? 

A meta é crescer e se expandir. Criar base solida e transformar toda sua volta em um lugar que promova à arte, o encontro, a celebração e o amor entre as pessoas e a natureza. O plano, em longo prazo, é que esse projeto se transforme em um centro de cultura. Que possa ter um galpão de oficina de trabalhos e aprendizado, assim multiplicando valores de arte. A ideia é transformar o espaço que está morto em um espaço de vida, que se multiplica. Também uma galeria de arte, onde há venda de obras.

A ideia é que as expos possam ser feitas com artistas convidados, que venham expor e vender suas obras. Encontros de arte, música e moda. A casa quer tocar muitos tipos de arte, mas por enquanto estamos estruturando e fazendo os contatos de tudo isso. O ideal é juntar tudo e o comportamento urbano, que é o que as pessoas gostam. 


A próxima exposição rola no fim de semana, nos dias 23 e 24 de agosto. Das 11h da manhã as 18 horas. Confirme sua presença no evento e confira de perto. Vale muito a pena! Seja nu e cru, juntamente com a casa.

Agradecimentos ao Rodrigo pelo tempo e atenção.
- Todas as fotos são de direito autoral do blog.



pics: Abandoned School


Lugares abandonados possuem uma estrutura poética. Suja e poética. Mas a poesia é suja. Tudo é sujo. Nada é simples, nada é nada, e nada é tudo. Poucas palavras quando imagens tem o poder de transcender a um nível inacessível a descrições.