Eu queria mudar o mundo. Merda.


Certa vez peguei uma carona até o metro. Fui em direção a escada rolante para assim entrar. Antes de mim, vi a subir uma senhora, notoriamente pobre, daquelas de traços sofridos. Castigada pela vida. Carregava duas sacolas grandes. Atrás um casal, normal. Ela pisou no degrau e provavelmente decidiu recuar, ou se desequilibrou, não sei. Foi bem rápido. A senhora ficou com uma perna em um degrau, e outra perna em outro, lutando contra o movimento da escada. Vi a hora de despencar. As pernas iam correndo como numa esteira, ou duas esteiras, tentando se segurar com as sacolas. Sem pensar, passei na frente do casal e segurei a senhora, puxando-a para trás. Para fora da escada. Ela me agradeceu e eu subi. Subi cega.

Subi, meio que impressionada, pensando "Como que consegui, tive forças de carrega-la? pô, tinha um cara ali e ele não fez nada. Acho que cobro demais dessa humanidade..."

Já no metro, uma mulher, não tão velha, não tão nova, vendia doce (o que é proibido) e ia colocando no colo das pessoas, mesmo que elas dissessem que não. Ela ia tão rápido que não dava tempo de aceitar o recuso de alguém. Um cara recusou e não adiantou, fez uma cara de nojo e achei aquilo patético. Ok. Estava em pé. Um casal estava sentado de frente pra mim e outro casal de lado. A menina andou rápido, e mais rápido ainda, tirou o moletom de time, soltou o cabelo e sentou no ultimo assento, fingindo ser uma passageira comum. Olhei para o lado e vi os seguranças na ponta do vagão. Saquei. Ela estava altamente nervosa, mas se escondendo atrás das pessoas, com o cabelo cobrindo um pouco do rosto. Fiquei tensa. Os casais riam, aquilo me enojou.

Como sou pavio curto e não nego, falei:

- Não sei, realmente, do que vocês tão rindo! Onde está a graça?

Tentava pensar em alguma alternativa de talvez poder ajuda-la. Já me disseram que quero mudar o mundo, e que por mais que eu queira, não poderei. Sei que não posso mudar o mundo e nem quero me tornar uma santidade. Tenho muita desordem em mim, não sou paz e amor. Acredito que ninguém seja, só finge mesmo. Sou só humano. Não que isso signifique ser algo bom. Não me considerava uma boa pessoa. Só estava querendo ajudar alguém contra a lei. Quem tá errado e certo para julgar? Mas bom, que mal há em vender umas balas em um transporte coletivo? É bem pior quando o canhão tá ali, engatilhado, apontado para sua cabeça, pronto para estourar seus miolos e te mandar pro inferno por ser tão pecador quanto, por quem sabe, o preço de uma caixinha de bala?! Acontece.

O casal vez ou outra me olhava neutro. Os da minha frente. O casal de lado ficava cochichando, olhando para os seguranças. Malditos sejam. As estações iam passando e as pessoas deixavam os pacotinhos nos assentos. Puts, ela vai perder toda a mercadoria... Chegou a estação, eles (o casal cochichador) iam descer. E riam, riam... Segurando várias sacolas do shopping.

Eu viro um bicho, eu sou um bicho.

- Só podia ser uns playboys de merda mesmo. - Ando cobrando demais desses seres irracionais.

Minha estação ia chegando também. Não tinha pacote de bala comigo porque estava em pé. Os seguranças iam permanecer no vagão até a última estação, pois a pessoa, uma hora, iria aparecer. Não queria descer na minha linha, mas precisava. Eu queria mudar o mundo. Merda.


mais fotos autorais: tumblr

rap: Kid Mc


Salve! Pra começar a semana bem, tem que ter sonzera! Kid Sebastião Manuel aka Kid Mc, nasceu na Província de Huila - Angola, onde conviveu desde a infância com a guerra civil instalada em seu país. Seu primeiro contato com as artes e a música foi em 1992, quando mudou-se para Luanda. Após 1998, passou a interessar-se pelo Rap, influenciado por seus irmãos. Muito flow made in Africa!

Ocupação - Casa da Praça Waldir de Azevedo.

Blog Estou na Noia graffiti ocupação

A Casinha é resultado de uma Ocupação realizada na Praça Waldir de Azevedo, situada na região de Pinheiros, em São Paulo. A praça, conhecida por muitos como Parque Pinheiros, fica em um dos pontos mais altos da cidade de São Paulo e tem uma importante função de drenagem do solo que auxilia na prevenção de enchentes na parte baixa próxima aos rios Pinheiros e Tietê. Foi realizado um Mutirão de limpeza e manutenção da casa para assim por em andamento as oficinas para crianças, colagens e graffiti.

Blog Estou na Noia oficina com crianças

O que, pelas informações, era para ser um vestiário, banheiro e bebedouro para os frequentadores da praça, virou um espaço cultural, que deu vida ao que estava abandonado há mais ou menos 15 anos.

Blog Estou na Noia

Rolou oficina de bituqueiras, feitas com garrafas pet e latinhas de alumínio, criação de brinquedos com materiais recicláveis, picnic, muita interação para molecada e um lugar agradavel para familia. De quebra ainda rolou slackline, um sonzinho na viola, e claro: muita tinta! 
Abaixo os grafiteiros: Jahjah, Lucko, Berg e Dimy

Blog Estou na Noia
Blog Estou na Noia graffiti
Blog Estou na Noia graffiti
Blog Estou na Noia graffiti Berg
Blog Estou na Noia graffiti  
E claro, EstouNaNóia sempre presente também!
Tem rolado eventos bem bacanas por lá e o próximo é agora em novembro, com Feira livre de livro, encontro de Escritores, Sarau e Picnic coletivo. Só chegar aqui no evento!

Conheça também o projeto da casinha que está concorrendo ao Prêmio Brasil Criativo, na categoria Arquitetura:

** imagens e informações retiradas do grupo da Casinha.

doc: PixoAção 2


No dia 25 de outubro vai rolar a primeira exibição do documentário PixoAção II, filme independente criado por pixadores de São Paulo. A parte 01 foi disponibilizada apenas em dvd, no qual vai estar a venda no dia do evento, juntamente com a parte dois. Mais que uma ação, uma ideologia.

Pimp My Carroça - Berg


O Pimp My Carroça, idealizado pelo grafiteiro Mundano, é um projeto social que visa tirar os catadores da invisibilidade, reformando a estrutura das suas carroças, que passam da reforma para arte final. Além disso, o catador recebe também kit de proteção e atendimentos na área de saúde e bem estar.


 O grafiteiro Berg foi o escolhido pelo catador Gabriel, através do Catraca Livre (matéria linkavel) para dar mais vida a sua carroça. É notório o efeito positivo do projeto desde o processo, em que despertava demais curiosidades nas pessoas que passavam pela rua e paravam para observar o que estava acontecendo. A ideologia é tornar o catador visível em todos os sentidos. E eles querem, e devem, ser notados!



O Gabriel enxerga a importância do seu trabalho, tem consciência de que é um agente ambiental, e se orgulha demais do que faz, não aceitando que o tratem de maneira desigual. Expondo todo cuidado com a natureza, há no muro da sua casa um deposito improvisado de bitucas de cigarro. Além da carroça, o Berg, juntamente com o Subtu e Primat, fizeram um graffiti pesadíssimo na casa.

foto retirada do facebook.

Post by Berg.


Foi um dia muito agradável com o Gabriel e toda sua família, que nos recebeu muito bem.

Conheça mais, vale muito a pena: 
Pimp My Carroça: Fan Page - Site || Berg: Fan Page - Portfólio

fotos autorais*