E olha! Mais uma vez a gente aqui.
Acorda, acorda! Sigo repetindo a mim mesma. Me esforço para levantar da cama, e deixar tudo pra amanhã foi o meu primeiro pensamento - creio que até inconsciente. Seria aceitável se eu não estivesse dizendo isso há mais de uma semana. O tempo não perdoa mesmo.
Sinto que preciso dar uma maneirada na quantidade de café diária e no junkie food. Engordei 4kg desde que me pesei. Devo ter engordado mais de lá pra cá.
Eu precisava escrever uma porrada de palavras boas. Estava dentro do limite no prazo de entrega, mas meu prazo havia passado. Eu estava vencida.
Uma vez eu ouvi que todo escritor tinha uma relação de ódio e amor com a noite, com a madrugada. Cigarros, café, bebidas alcoólicas, peso, aparência e solidão. Mas que mal há em ser um pobre de um escritor? Os escritores são iguais. Se diferenciam um pouco na aparência, são iguaizinhos dentro da caixola. Todo escritor sente muito, quer transformar tudo que pode enxergar em poesia. Não quer que as pessoas leiam, mas absorvam. Enxerga em tudo um verso, prosa, trecho bonito.
Triste, profundo, desgraçado, fodido. Porém, belo.
E eu nem sou escritor. Que futuro promissor! - pensei. Ri um riso quase que formando uma lágrima. Ri pouco, faltava forças para rir. Esticar minhas jovens rugas, mostrar esse sorriso torto e amarelo. Ri de mim mesma, como se dissesse: Puff, vamos lá! Desista cara.
Deve ser mal de aspirante a escritor gostar de ser sozinho. Se eu pudesse escolher, como tantos, eu não escolheria morrer só.
Ora bolas, vamos lá. Eu iria sim.

