Casa Nua

12:10


Chovia muito, mas lá no Tremembé estava rolando a exposição na Casa Nua, ou seja, choveria muito lá também. Mas nenhuma gota de chuva fez com que desse algo errado, pelo contrario, o clima nublado contribuiu para as cores e formas das artes, fazendo com que ganhassem vida. Entre paredes, tijolos e objetos quebrados, a exposição viva e nua acontecia. Fotografei e troquei ideia com o idealizador, pedindo com que falasse um pouco sobre o conceito e processo da casa:       


• NOIA: Como surgiu a ideia de usufruir um espaço 'nú' para expor a arte e seus artistas?

A ideia da casa surgiu entre amigos, em primeiro momento era apenas uma ideia pra juntar os amigos e promover a arte. Queríamos expor nossos trabalhos, isso foi em 2007. Nesse momento achamos um espaço, uma casa que estava abandonada e dai veio o nome Casa Nua, pois a casa não estava terminada. Seus tijolos amostra foram nos induzindo à ideia do nome e do contexto da casa. A gente ainda nem imaginava o que seria tudo aquilo que estava ali. Com o tempo descobrimos que fazer a Casa Nua era um processo independente de nossas vontades. Ia alem das nossas vontades, como se tivesse vida própria, e os artistas apenas ferramentas pra casa ganhar vida. 

Depois da primeira exposição descobrimos que a casa tinha seu próprio clima e seus sentimentos. A primeira foi bem pesada, de sentimentos tristes e perturbadores. A segunda, em 2008 foi bem diferente, era um clima de alegria e celebração. Nesse tempo entendemos que a casa tinha um contexto de transparência, de expor seu interior. O processo mostrou pra gente o que seria. Isso é uma descoberta, até hoje a casa é um ser independente, vivo e de transformação.




Ela abriga vida, ela é mutável, ela é feita de fragmentos de histórias que por ali passaram. Ela também pode morrer... A ideia é dar identidade, características e personalidade para o concreto de suas paredes e plantas. Hoje em dia a casa se aprofunda no contexto, seus tijolos retratam o que foi do homem, a passagem do ser humano, e as plantas o renascimento da vida, sobre o que sobrou do ser humano. É feita dos seus próprios restos. O que foi destruído, hoje é reorganizado de outras formas e surge ali um novo ser. Sobre transformar seu lixo em coisas lindas, sobre se reciclar.



• NOIA: Qual o processo entre ter a ideia, organizar e por em prática?

Bom, o processo sempre foi meu e do Aquino, os outros artistas são convidados. Cada expo mostra uma parte da gente, do nosso interior. Eu e o Aquino trocamos ideia sobre o que queremos mostrar e passar, mas normalmente isso vem junto com o momento de vida de cada um. No fundo apenas reproduzimos nosso interior em arte e colocamos a mostra. Os outros artistas surgem conforme a casa pede. É sempre muito evidente o que a casa deseja da nossa arte, então é algo apenas de entender o processo e seguir o fluxo das coisas. Nada é de fato muito pensado, é apenas movimento e sintonia. Exemplo, a casa tinha um telhado, o telhado caiu e disso surgiu o jardim. O jardim foi feito do encaixe de seus escombros e restos, tudo surge do acaso que a casa provoca.

O conceito do nome Casa Nua quer dizer que seja você sua casa e se mostre nu por inteiro. Seja cru, seja seu próprio lar e não seja nada alem da sua verdade. A casa quer ser olhada com olhos de coração, quer que você se sinta em casa, é familiar. Feita dos restos da casa que eu, Rodrigo, passei minha infância e juventude. O chão da casa é cheio de pedaços e fragmentos de muitas outras historias, ou seja, somos feitos de tudo o que passamos. Nosso passado traz a tona nosso presente. Sem esconder, ela mostra a beleza do que a fez ser daquele jeito que é hoje.



• NOIA: Qual a meta? 

A meta é crescer e se expandir. Criar base solida e transformar toda sua volta em um lugar que promova à arte, o encontro, a celebração e o amor entre as pessoas e a natureza. O plano, em longo prazo, é que esse projeto se transforme em um centro de cultura. Que possa ter um galpão de oficina de trabalhos e aprendizado, assim multiplicando valores de arte. A ideia é transformar o espaço que está morto em um espaço de vida, que se multiplica. Também uma galeria de arte, onde há venda de obras.

A ideia é que as expos possam ser feitas com artistas convidados, que venham expor e vender suas obras. Encontros de arte, música e moda. A casa quer tocar muitos tipos de arte, mas por enquanto estamos estruturando e fazendo os contatos de tudo isso. O ideal é juntar tudo e o comportamento urbano, que é o que as pessoas gostam. 


A próxima exposição rola no fim de semana, nos dias 23 e 24 de agosto. Das 11h da manhã as 18 horas. Confirme sua presença no evento e confira de perto. Vale muito a pena! Seja nu e cru, juntamente com a casa.

Agradecimentos ao Rodrigo pelo tempo e atenção.
- Todas as fotos são de direito autoral do blog.



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