Na Gaiola de Concreto

17:33



Então cá estava eu, escrevendo mais um conto meia boca, escrevendo para despistar os medos, escrevendo para fugir de mim. Sempre só. Nada se ouvia lá fora. Nada se ouvia, muito menos, aqui dentro. Não mantinha contato com vizinhos e era melhor assim, suas vozes me angustiavam. Quando minha caixa de correio estava super lotada alguma boa alma os punha por debaixo da minha porta. E lá continuavam por bastante tempo. Eram esses os poucos ruídos escutados nessa gaiola de concreto: o barulho das cartas sendo roçadas no chão, o barulho de algo raramente sendo mastigado, a goteira na pia da cozinha - e alguns insetos provavelmente vagavam por ali também, podia escutá-los. E o relógio. Tic Tac.

As pessoas me questionavam, até sem que percebessem. Eu podia ler seus olhares questionando-se, me analisando. E eu, bom, eu questionava o por que delas serem tão diferentes. Sentia seus olhares acompanhando meus passos. Mas elas não confiavam em me olhar nos olhos. Até que tentavam, mas acabavam sempre os desviando. Costumo pensar e imaginar a vida das pessoas alheias. Seus pensamentos... Ás vezes penso que tem uma vida tão normal, como tem que ser. Mas quem disse como tem que ser? Quem criou esse maldito paradigma?

Eu não assinei nada.

Disseram-me uma vez que aparento ter muitas histórias. Coleciono algumas, digamos. Algumas dessas são como uma chave para toda essa obscuridade interna. Penso que a qualquer momento essa porta poderá se abrir e então eu vomitarei lúgubres. Poderei ter uma hemorragia. Poderei enlouquecer de vez.

Apesar de estar só, sempre achei que alguém me vigiava. Me perseguia só esperando a hora em que toda essa minha escuridão viesse a tona. Dizem que preciso desvanecer de momentos passados. Deveriam exorcizar-me.

Já não escrevia há um bom tempo. Sofria um eterno bloqueio e minhas guerras passaram a habitar somente em minha pobre mente. As pessoas temem a loucura, mas somos todos tão loucos... Quando olhamos no nosso interior, onde ninguém mais pode enxergar, temos a consciência do quão solitários somos. É quando podemos tirar nossas podres máscaras. Nos mascaramos o tempo inteiro, e nossa máscara passou a ser algo metafísico. Ninguém pode fugir do seu carma. Eu vivo o meu dia após dia.

Já não havia mais rascunhos, já não há mais palavras. Não serei escritor de sagas, não escreverei novela. Escrever foi a única forma de expor meus pensamentos. Eles assustam as pessoas se ditos. Já escritos, as deixo em dúvida se são verídicos ou apenas algo projetado. Bom, é tudo realidade. Eu só não disse a quem pertence.

Continua...

(Infelizmente)

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7 Comentários

  1. Amei o texto, flor!
    Beijinhos

    Am
    http://vinteepoucos.com.br/

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  2. EI, você apareceu na 8º edição do SEU BLOG NO MEU BLOG http://meninatransformada.blogspot.com.br/2013/09/seu-blog-no-meu-blog-8.html beijos s2

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  3. Gosto do jeito que escreve, obscuridade todo mundo tem, digo até que deve ser bom

    bjs
    lecafeine.blogspot.com

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  4. Olá leitora, adoro suas visitas ao meu blogger
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=229642933859981&set=a.200559963434945.1073741828.200557623435179&type=1&theater
    se puder leia seria mt gratificante para mim. Obrigado

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  5. Adorei teu texto. Li outros daqui e também adorei. Parabéns. beijos, distanciacerta.blogspot.com.br/

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  6. Arrasouuuuuu!! Muito top!
    http://perfeitateen.blogspot.com.br/ <3

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  7. wow amei <3

    http://i-needtofeel.blogspot.com.br/

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