Diário de Uma Mente Deturpada - O retorno

12:04


Estava como rotina na estação esperanto o trem. No inverno o sol demora a aparecer, tornando o dia mais depressível que costume. Lindo e deprimente. Fazia 8:40, eu desejava atrasar o relógio e voltar a ter uma noite mal dormida das que sempre tenho, que fosse. Uma pontinha laranja pintou o céu. O frio congelava minhas mãos e eu havia esquecido as luvas em casa. Elas iam queimando e queimavam. E esse ardor não era nada. Exatamente nada. O ponto estava cheio. Cheio de pessoas com suas almas destinadas a trabalhar e serem estupidas umas com as outras. Não que eu não fosse uma estupida, só que eu era uma estupida com pensamentos estúpidos enxergando estupidez alheia. Apesar, eu sentia que estava sozinha e olhava o pontinho laranja no céu. Talvez isso se chame esperança futuramente. Ou não signifique exatamente nada. Apenas mais uma cor, que tinge o meu nada. Acho que deveria perder o trem, deixar que ele se perca de mim e ficar ali, com todo aquele frio, esperando o sol. Segundos apos eu estava no trem lotado de estúpidos. Nem o sol quis aparecer. Até o sol desistiu.

Mais tarde estava novamente no trem estupido. Dessa vez fazia sol e antes de partir da segunda estação uma senhorinha passou por mim falando com outra senhorinha que já estava no trem. Um homem ofereceu seu lugar para que as senhorinhas pudessem conversar. Mas uma mulher se levantara antes para oferecer o seu lugar e saiu. O trem deu partida antes que ela pudesse sentar, e a senhora quase cambaleando, que já chegou sorridente, arrancou sorrisos trancados das pessoas ao meu redor. Eu sorri de canto, eu acho. Pobre homem que dormia ao meu lado. Os homens tentaram segura-la. Apoiei minha mão nas suas costas enquanto ela tentava retornar a postura. Ó minha velhinha. Ela ria, ria e ria. Uma risada gostosa. Os homens sorriam também. Isso me preencheu por um momento.

(...)

Eu queria que minha alma se libertasse agora, saísse desse corpo pesado. Ao meu redor as pessoas riem de qualquer coisa, brindam em cada segundo, derramando suas bebidas. E o cheiro predomina no local, e na minha mente também. Tudo agora gira em câmera lenta. Enjoo me toma por um instante. Eu só queria que minha alma se libertasse, agora, sempre. Tento me concentrar, mas é difícil focar em algum ponto. Nada que enxergo agora parece ser real. Meu rosto está dormente, meu coração pulsa forte, minhas mãos suam, eu suo. Faz-se ouvir minhas histórias lamentáveis, e não, não me censure. Meus olhos queimam, minha garganta seca, minha respiração é forçada. Ahh... Se concentra, talvez minha cabeça exploda. Ou tudo isso não passe de um tempo ruim, ou bom. Agora eu já não sei realmente o que pertenço ou o que me pertence. Minha alma presa em segurança nessa podre e velha carcaça. Eu nunca prometi palavras bonitas.

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3 Comentários

  1. Oii, adorei o seu blog, já estou seguindo. Vc poderia seguir o meu tbm? http://sweets2dreams.blogspot.com.br/
    Obrigada desde já! Bjuss :)

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  2. Uau, gostei muito do texto, flor! E a foto ficou linda!
    Beijinhos

    Am
    http://www.vinteepoucos.com.br/

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  3. Que texto maravilhoso, sua escrita é encantadora!
    Beijos, Cyn.
    http://ograndetalvez.blogspot.com.br/

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