Mudaram as estações

14:50


A muito tempo não ouço meu coração...

Lembrei daquele rádio, agora já velho, e a noite com sua escuridão. Tocava Cássia Eller, e nós estávamos deitados na rede que balançava devagar. Eu não gostava da Cássia, exceto sua música "Mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim tão diferente"... Lembrei perfeitamente daquela noite e daquele rádio. Hoje eu queria escrever, mas não sei escrever por escrever e isso me incomoda. Me veio a memória esse dia. Quantos anos atrás? Hum, não sei, muitos! Coloquei a música da Cássia Eller e era como se fosse possível eu reviver aqueles momentos através da melodia, dos tons. Eu posso reviver esses momentos. As estações mudaram, nada mudou, mas tudo mudou. Eu só queria saber o motivo do começo.

Eu nunca lidei bem com humanos e sentimentos. Achava que tudo seria eterno, até os momentos infelizes. Talvez tivéssemos destinados a certas coisas. Sempre tenho falhas de memória, resultado do espaço ocupado por lembranças, muitas vezes não agradáveis. Eu preciso me esvaziar.

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
E aí, então, estamos bem.

Eu lembro exatamente das noites em que passava sentada no muro da varanda do antigo apartamento, apenas olhando o mato balançar com o vento. Apreciava a Lua também, mas na verdade eu não estava quase nunca lá para enxergar. Meu corpo estava, meu espirito vagava por aí. Lembro de como me sentia longe da família. Eu nunca me senti amiga de verdade dos grupinhos que conheci. Eu me acho diferente, deslocada. Hoje entendo o que meu pai quis dizer quando mencionava que eu conhecia muita gente. "Você acha que com muita gente terá proteção". Ele só não sabia que eu nunca quis ser protegida, mas talvez me sentir normal. Alias, eu não quero isso. Não mesmo. Me deixa no meu mundo, só.

As pessoas não entendem meu olhar perdido. Não há nada para entender. Não para as pessoas.
Tínhamos muitos álbuns em casa, eu risquei a capa de fundo de alguns deles com raiva. Eu não sei porque sentia -sinto- tanta raiva. E escrevendo é uma forma de esvaziar. Depois de um tempo eu passava corretivo para tentar amenizar o estrago. Mas o estrago continua ali.
O zoológico, o chiclete de embalagem azul, a varanda...
As horas passam e você vai nos levar para casa. Na minha mente aquela música permaneceu intacta o caminho inteiro.
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa ...
Que saudade da minha tartaruga também.

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4 Comentários

  1. Que texto lindo! Tocante! :)

    Adorei o blog e quero saber todas as novidades! Já estou seguindo. Espero que curta o meu!
    www.pronomeinterrogativo.com

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  2. Amei o texto, flor! E a foto está muito diva!
    Beijinhos

    Am
    http://www.vinteepoucos.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Ótima passagem, sentir na pele \õ

    ResponderExcluir
  4. Amei essa foto, o texto é muito bom, adorei.

    xoxo
    http://www.chovendoalgodaodoce.com

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