O Ritual

22:35

Costumava os observar durante as noites de lua cheia. Dançavam ao meio do campo, com o ar sereno e o perfeito luar. Simples, leve, bonito de se ver. Repetiam o ritual a medida em que a lua se apresentava cheia e a cada vez mais maravilhosa. O universo realmente conspirava a favor. Aquela música, ah... Até os animais se hipnotizavam. Melodia instigante, sossegada, que me transmitia calmaria instantânea. O vento assoprava as arvores e o cabelo da bela de forma angelical. O nobre o arrumava atrás da orelha enquanto alisava teu rosto. As pessoas que moravam na redondeza os apreciavam pelas janelas e varandas, gostavam de enxergar o amor puro e singelo. Presenciaram o amor de infância crescer... Lembro que deitavam no gramado olhando as estrelas e adormeciam muitas vezes ali mesmo. Acordavam antes que o sol pudesse raiar por completo e o galo cantasse. Montavam nos seus cavalos e percorriam até o rio. Todos se sentiam amados só de vê-los. Uma beleza surreal. No ultimo dia de lua cheia o ritual foi realizado, porém o último suspiro da sua amada foi dado enquanto adormeciam juntos. O amor parecia então inexistente, as pessoa já não o enxergavam, a vida passou a ser incolor, nada mais era tão belo. Lentamente os dias passaram e certa noite acordei com a mais bela melodia e pude sentir a calmaria preenchendo meu pobre coração angustiado. Lá estava ele, dançando aos ventos, conversando com as estrelas, cumprindo o ritual.

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