Pra não perder o foco

07:41

Acordo cedo depois de um turbilhão de sonhos confusos, tremendo de frio. Mergulho na cama para curar minha noite mal dormida mas sou forçada a me levantar. Cedo. Tenho um 'tique', ao me olhar no espelho. Um pouco narcisista talvez. Me perco no espelho observando meu reflexo. " Quem sou eu?". Depois de uns minutos perdida no meu próprio labirinto, foleio uma revista e vejo pessoas felizes, com seus bolsos felizes. Perdi 5 minutos. Sinto dores no estomago, como eu sinto nas vezes em que bebia exageradamente, porém faz quatro dias em que não sinto nem cheiro de álcool. O que me faz pensar em como eu queria um bom vinho para compartilhar esse frio que é o mundo. Preparo um café forte, perco o foco em suas fumaças e tenho certo receio do futuro. Quero conquistar o mundo. E cá estou eu, com meu café e meu turbilhão de pensamentos, sentidos sem sentidos... Tenho medo de espíritos, porem entendo humildemente o espiritismo e acredito que eles me inspiram, apesar do quão aterrorizante seja. Pego meu caderno e vejo coisas antigas escritas, gostaria que um psicologo lesse para testar seu dom herdado. Acho que enlouqueceria. Ou seria meu melhor amigo.
Quando criança, que meus pais me proibiam algo, eu chorava de raiva, me arranhava as pernas e braços e desabafava todo o meu ódio nos escritos. Fui uma criança na maior parte do tempo fechada, com os braços cruzados e o olhar superior. Ao crescer sempre pensei na vida, na vida com morte, de como morreria. Sei que meus pais repreenderiam isso ao ler por acreditarem que atrai ou atrasa a vida. Já acredito que não vai deixar de atrasar se eu pensar e apenas mascarar isso para as pessoas. Gosto de mostrar o que sou para que não se decepcionem ao me conhecer com o passar do tempo. Conhecia o mundo da forma como meus pais me apresentaram, mas nunca gostei que me dissessem como é. Assim como não acredito na bíblia e nos livros de história. Procurei conhecer de outra forma e conheci quando fui me 'adaptando' a sociedade. Conhecendo mais pessoas ao invés de ter sempre aquela minima porcentagem de amigos. Sim, conheci muitas pessoas, a maioria me apunhalou, as que não me apunhalaram, não apunhalaram porque pressenti, e o pouco resto que sobrou se tornaram meus amigos por uns dois anos. Eu vi o que era o mundo com os meus olhos. O que os olhos não veem, o coração não sente. E eu queria sentir a essência da vida. Por mais medíocre que ela possa ser, em certos momentos. A sociedade censura a sociedade fraca. Odeio censura. Odeio ser censurada. Não me importo de me expor demais, de demonstrar quando estou feliz demais, para que as pessoas não tenham inveja. Não me importo de expor quando estou um lixo, com a alma em cacos e meus problemas para que meus inimigos realizem um brinde. Apenas não estou. Por mais deselegante, por menos sensata que seja, ainda estarei aqui. E estando aqui eles continuarão infelizes e eu continuarei a inferniza-los. Pego mais um copo de café. Estou bem, com problemas a mais ou a menos, estou bem comigo mesma. Com minhas crises psicológicas e historias na ponta da língua e pronta para estudar a vida e seus sentidos que não fazem sentido.

Pra não enlouquecer uns jogam dominó, outros se mantem bêbados. 

Pra não enlouquecer, bem, eu escrevo. 


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