Diário de uma mente deturpada

21:38

Conversava com minha mãe. Tomávamos café e tentávamos conversar em inglês. Digamos que desperdicei muito a vida. Colégios bons, curso de inglês, Ballet, concursos de modelo, desperdicei até o amor. Aplicava tempo em coisas fúteis. Na escola, ou eu estava dormindo ou na cantina. E saia do colégio direto para a escolinha de futebol. Era uma jogadora bem meeira, é bom se iludir as vezes. Na dosagem certa, claro. Durante minhas falhas no inglês mudamos o assunto. Lhe contei umas histórias minhas, que antigamente quando fechada não contava. Imaginem que ela mudou de humor em questão de segundos


- Quando você for uma grande escritora não lhe faltará histórias, hein?. - ela disse.
- Um dia. -  respondi
- Mônica, Mônica! Cuidado com os inimigos! Não se orgulhe disso. 

Inimigos. Sempre tive facilidade para conquistar inimigos. As pessoas simplesmente não gostam de mim. Elas simplesmente querem esfregar minha cara no chão, e me matar. E já tentaram, muito. Mas eu não me importo em agradar ninguém. Minha vó me disse outro dia que sou uma pessoa agressiva. Meu pai fala que sou fria. Pois fria e agressiva eu não poderia deixar de ser. Ó pai, me perdoe. Sinto falta do meu amigo morto, do meu pai também. O orgulho corroe pouco a pouco. Lembro de noites em que meu pai me esperava acordado. Quando não palestrava, me abraçava pra se decepcionar com o cheiro de diversas bebidas. E no dia seguinte ele entrava no meu quarto com chá de boldo, pra minha ressaca. Vomitava muito por causa do refluxo que tive quando nova. Lembro de momentos bons. Eles passam como flashes. O problema é que depois dele vem as brigas. As palavras que vinham dele que machucavam. Minhas palavras que o machucaram. Tirando a casquinha da ferida. Dizem que as pessoas mais frias são as que mais sentem por dentro. É verdade. 

Cadê meu amigo morto?... Nenhuma resposta. 

Houve um tempo em que eu era popular. Grande merda. Conheci pessoas que queriam conviver comigo pra ser conhecida. Muito verme pra pouco ecossistema. Conheci pessoas que faziam o impossível para se tornar popular. As que conseguiram se tornaram medíocres. As que não conseguiram também. Era tudo uma perca de tempo. O bom era entrar em festas sem pagar, beber sem pagar. Acho que só. E com a popularidade mais inimigos e homens que se diziam apaixonados. Até mulheres também. 

Acordei certa madrugada, fui até a cozinha. Liguei a luz e tomara um susto. Estava meu pai no escuro, fumando um charuto, pensativo. Sorriu de canto pra mim. Sou eterna fã do meu pai, apesar dos pesares. Não por ser pai, mas por muita coisa que aprendi. Ele escrevia poemas, textos magníficos, um ser culto. Tem prazer em falar de espíritos, história, escritores e palavras desconhecidas. Seria um grande professor. Faria ótimas palestras. Sua feições, seus olhos turquesa brilhando, pupilas dilatadas, seus gestos com mãos. Extremamente extasiado com seus aprenderes. E eu sempre fiz pouco caso de coisas que o fascinavam. Porra! Que merda!... Sentei e ficamos conversando em meio as fumaças no ar. Vivemos entre o amor e o ódio. Eu queria, muito, esquecer tudo. Todas as palavras dele. Todas as minhas palavras... Eu queria, mas não é fácil. Nada pra mim foi fácil. Ó pai

Você deveria estudar ao invés de ficar escrevendo essas besteiras nesse caderno.
Você é fria, um gelo. Nunca me disse um eu te amo.
Você, você, você. Mônica. 
Idiota.

Escapei tanto da morte. Desejei tanto a morte. 
Desperdicei minha vida. Ignorei as pessoas. Destruí quaisquer sonho que tiveram sobre mim. Lamentável... Um dia eu sonhei em ser veterinária, depois modelo, jornalista, escritora, cantora mesmo sem voz, e depois eu só quis conquistar algo que não fosse trabalhoso. É. No minimo vergonhoso. Daqui a uns dias faço 20 anos. Só um dia a mais. Na cidade onde não existe amor. Na selva de pedra. Longe de pessoas, e pessoas que gosto. 

Agora eu só quero ser feliz. Eu só busco o equilíbrio. 
Talvez eu seja só uma menina má tentando ser boa. Ou uma menina boa tentando ser má. 

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12 Comentários

  1. JÉSSICA DOMINICK30/05/2012 22:09

    VOCÊ É FODA!

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    1. Valeu, Dominick!!
      Nós somos! bj

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    2. Basta está vivo pra envelhecer, aprender, errar e pagar pelos erros que cometemos, começa a fazer o bem e esperar do futuro um simples agrado. Nada é em vão...!

      Amoo seus textos minha flor yn'

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    3. Com certeza, tudo é aprendizado!
      Fico muito agradecida.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Nunca imaginei que por dentro de uma menina linda, cheia de sonhos e vontades há uma escritora fantástica. Sinto muito sua falta, queria estar perto de você quando se sentisse triste, alegre ou querendo um ombro amigo pra chorar. Boa sorte nessa nova etapa da sua vida, nunca esqueci de você de coração. JUÍZO pelo amor de Deuuus. De coração seja feliz. Forfunna :)

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    1. Fiquei muito feliz ao me deparar com esse comentário.
      Me faltam até palavras para agradecer. E apesar de sermos distantes fisicamente ou diariamente até, somos ligados pelo passado e qualquer situação do futuro que venha vir. Conta comigo, como conto contigo. Obrigada pelo lindo comentário, de coração.
      Vou criar juizo, pode deixar. haahhaaha. Seja feliz também. Por mim e por você.
      Um beijo.

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  4. Velho investe nisso guria, você escreve muito bem ;)Parabéns mesmo!

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    1. Vou investir, é o que mais quero. Muito obrigada!!!

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  5. Estou super orgulhosa de você! Talvez lembre de mim, talvez não... mas, você fez parte da minha vida no tempo em que eu era feliz e não sabia, não havia maldade, só transmitia amor! Sabe o diário em que você fazia várias dedicatórias a mim? E eu fazia o mesmo no seu? Está aqui guardadinho.
    Saudade Moni, de verdade.
    Você vai longe viu, estou torcendo por você!
    Beijos, Rafa.

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    1. Eu lembro, Rafa. Inclusive achei esse diário hoje, e a pouco tempo atrás estava lendo e lembrando. Foi um ano muito bom pra mim. Hoje eu sei também o quanto fui feliz nesse ano (2008). Sinto sua falta também.
      E fiquei muito feliz por ler esse seu comentário.
      Muito obrigada Rafa, de verdade. Beijo!.

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