A casa invadida

21:34

A cafeteira grita da cozinha enquanto saio do banho e visto apenas um cardigã longo. Como gosto. Com o ombro caído, coque, carteira de cigarro, café. Assim me sinto bem. Ponho umas músicas antigas. Alanis Morissette pra ser mais precisa. Deixo tocar, a caneta correr e o cigarro queimar. Enlouqueço minha própria insanidade. Enlouquece viver. E chove lá fora. E isso é bom. Não ouço barulhos de pessoas, apenas contar as gotas qe caem das folhas da varanda. Lembro de escutar Morissette com minha mãe, e que tínhamos cd's agora já perdidos devido as diversas mudanças. Admiro não somente o que chegam aos meus ouvidos, mas sua beleza na falta de beleza. Feições e psicoses. Naturalmente na sua normalidade. No minimo exuberante."Obrigada, india. Obrigada, terror. Obrigada, desilusão. Obrigada, fragilidade. Obrigada, consequência. Obrigada, obrigada, silêncio." Apenas um refrão que instiga minha alma. A chuva cai mais forte e está perto da meia-noite. Queria poder estar dormindo. Mas tenho pensamentos que me arrodeiam a todo instante - o que as pessoas tem cada vez mais percebido e se preocupado - e que me tonteiam. Psicotrópica... Choro sem saber muito bem, sorrio sem saber o porque. Passo dia e noite. Noite e dia. Sou aquela pessoa parada no meio da multidão em horario de pico. Pessoas com pressa. Com pressa de viver. Não tenho pressa e nem ao menos espero. Apenas respiro. Nunca foi fácil. Obrigada consequência, e, obrigada, fragilidade. Requentaria meu café amargo se a energia da cidade não conspirasse contra mim. Cafe frio e cerveja quente... Uns cinco cigarros a menos nesse milésimo. A insônia me faz debater, me perder. Exorcismo da liberdade na alma. Pensamentos embrulham no estomago. Silêncio tão absoluto na casa da vida, até que alarmou que alguém invadira. Estou em desvantagem. Procuro planos para um suposto homicídio que eu pretendia cometer. Uma pena meu estilete de toda vida ter ficado na minha ultima viagem. Tiraram-no de mim para que não acontecesse algo fora da lei. Para que não ocorresse mais um pecado sobre minhas costas, assim como tentaram me matar nessa viagem. Se eu ao menos tivesse aquele canivete vermelho e prata que meu pai guardava, e que, eu quando criança, tanto pedia. Ao menos eu teria alguma chance. Obrigada, terror. Procurei em meio ao abismo, receosa, me escondendo entre paredes atrás de algo ameaçador para enfrentar quem entrara. Talvez eu devesse mesmo morrer. A energia voltara me fazendo alvo fácil, ouvi ruidos e a luz apagara novamente, me deixando sem eira nem beira.


O que é, o que é?
Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada.
Tem sabor de mar, pode ser discreta. 
Inquilina da dor, morada predileta.
Na calada ela vem, refém da vingança,
Irmã do desespero, rival da esperança.
Pode ser causada por vermes e mundanas
E o espinho da flor, cruel que você ama.
Amante do drama, vem pra minha cama,
Por querer, sem me perguntar me fez sofrer.
E eu que me julguei forte e eu que me senti,
Serei um fraco quando outras delas vir.
Se o barato é louco e o processo é lento,
No momento, deixa eu caminhar contra o vento.
Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?
O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável.
(É quente) Borrou a letra triste do poeta.
(Só) Correu no rosto pardo do profeta.
Verme sai da reta, a lágrima de um homem vai cair,
Esse é o seu B.O. pra eternidade.
Diz que homem não chora. Tá bom, falou,
Não vai pra grupo irmão aí, Jesus chorou!
[...] Filho meu, não inveje o homem violento e nem siga nenhum dos seus caminhos

Realmente alguém invadira a casa esta madrugada, eu apenas não podia enxerga-lo. 
Obrigada, consequência... 
Obrigada, silêncio. Obrigada. 


  • Alanis Morissette - Thank You
  • Racionais Mc's - Jesus chorou

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